LV. Definitivamente uma Boa Esposa

AnaAmélia_12filhos

07/04/2010 – Ana Amélia e seus 12 filhos.

Com seu Bom Marido ela teve doze filhos. Seriam quinze se os gêmeos do primeiro parto tivessem sobrevivido e um dos gêmeos do sexto parto também.

E é bem provável que outros filhos tivessem nascido se o seu Bom Marido não tivesse descansado quando a caçulinha ainda estava com um ano e meio de vida…

Aos 45 anos de idade, viúva e com doze filhos para cuidar, ela não quis saber de outro homem. Amou tanto o seu marido que, em respeito a ele, nunca pensou em estar em outros braços. Seus filhos lhe bastavam. Todo o amor de sua vida ela dedicou a eles, bem como a seus netos, bisnetos e tataranetos.

AnaAmélia_99anos

07/04/2013 – Ana Amélia comemorando seus 99 anos ao lado de 9 dos seus 11 filhos.

Chegou de mansinho aos 99 anos de idade. De repente até passou dos 100 e ninguém sabia, afinal não era difícil as crianças serem registradas dias, semanas, meses e até anos após o nascimento.

Prendada como ninguém, passou a infância e a adolescência aprendendo a ser uma Boa Esposa. Sua mãe lhe ensinou a bordar, tricotar, costurar, cozinhar, lavar, passar, limpar e cuidar da casa. Aprendeu depressa e com muito afinco.

Ainda jovem conheceu um viúvo que era uns bons anos mais velho que ela. Nunca imaginou que fosse se casar com ele, mas o amor não escolhe idade, não é verdade? E foi assim que, lá no interiorzão da Bahia, ela se casou com seu Bom Marido e fez de tudo por ele enquanto pode.

Visando melhorar de vida, seu Bom Marido saiu da Bahia rumo à São Paulo, mas não arriscou levar a Boa Esposa junto. Primeiro foi sozinho para se certificar de que tudo daria certo. Em seguida mandou dinheiro para que ela, a sogra e mais alguns parentes fossem também.

Aniversário_99anos

Carinho de bisa!

Migrando de fazenda em fazenda, trabalhando por um pedaço de terra e lutando para viverem bem, os dois foram construindo uma família unida e amorosa.

Passaram por poucas e boas juntos. Mas também foram muito felizes enquanto puderam.

30 e poucos anos de casamento. O suficiente para viverem intensamente uma vida cheia de amor, carinho e respeito.

Até seus últimos anos de vida, ela falava com muito orgulho do Bom Marido que Deus lhe deu e principalmente dos Bons Filhos que eles tiveram. Nem todos se recordam das feições do próprio pai, afinal eram muito novos para entender o que estava acontecendo. Mas todos se parecem entre si, com uma mistura de traços da Boa Mãe e do Bom Pai.

Dia 3 de Agosto de 2013 completa 1 mês que ela nos deixou. E completa 1 ano e 1 dia que seu segundo filho também nos deixou. Ela nunca havia perdido um filho depois de crescido. E foi justo aquele que, seguindo as ordens do pai, nunca se casou para poder se dedicar e cuidar da própria mãe.

Aniversário_99anos

Ana Amélia comemorando seus 99 anos ao lado de parentes e amigos.

Ela não aguentou perder seu Bom Filho e companheiro. Mas qual mãe aguentaria? Aliás, ela já havia aguentado muita coisa nessa vida. E perder um filho após 76 anos de convivência foi muito para o coraçãozinho dela.

A Boa Mãe foi ficando cada vez mais triste e acabou por adoecer até ficar bem fraquinha e se despedir desse mundo que ela conheceu muito bem.

Certamente já deve ter se reencontrado com seu filho, sua irmã, alguns netos, seus pais e com seu Bom Marido também, é claro. E os demais que aqui restaram (filhos, genros, netos, bisnetos, tataranetos) sentem muito a sua falta, mas entendem que já era hora daquela guerreira descansar.

E que ela esteja em um maravilhoso lugar!

Descanse em paz, Ana Amélia. Descanse em paz, minha amada Vovó.

Vó Ana e eu *.*

Beijinho na Vovó! *.*

Natal2012_VóAna

O último Natal da Vó Ana. 2012.

Aniversário_99anos

Ana Amélia comemorando seus 99 anos ao lado de alguns dos seus netos.

Aniversário_99anos

Ana Amélia comemorando seus 99 anos ao lado de alguns dos seus bisnetos.

Aniversário_99anos

Vovó e eu.

R.I.P.

Ana Amélia Oliveira

✰ 07/04/1914

† 03/07/2013

_______________________________________________________________________________________________

E para encerrar, venho anunciar que, após o lançamento do livro “Como ser um Bom Marido”, um dos próximos livros que pretendo fazer será um apanhado de histórias em homenagem à essa guerreira que nos deixou recentemente aos 99 anos: nossa amada Ana Amélia Oliveira.

Catarse_logoEnquanto o livro da Vovó não fica pronto, peço por gentileza que os leitores desse blog acessem o link do projeto do meu atual livro e, se possível, apoiem o mesmo.

É bem simples e divertido apoiar um projeto no Catarse.

Querem saber como?

Então acessem: www.catarse.me/pt/comoserumbommarido e façam a diferença lá também!

Muito obrigada!

_______________________________________________________________________________________________

Anúncios

XXXVI. Na alegria e na tristeza…

… na alegria e na tristeza, na saúde e na doença…

Durante esses quase dois anos de relacionamento, acredito que o Meu Amado tenha visto e vivido mais coisas do que em toda a sua vida!

Família grande é assim: repleta de fortes emoções!

Em cerca de 1 ano e 8 meses de namoro, Meu Príncipe Encantado já foi obrigado a enfrentar um batizado lotado (foi quando batizei minha afilhadinha Lara); a festa de noivado da minha prima, com direito a pastor abençoando o casal em uma longa cerimônia e tudo mais; diversos aniversários, alguns de criança (sendo que o Thierry não gosta nem um pouco dos pequenos, imprevisíveis, pentelhos e mimados seres que povoam o planeta); e, pela segunda vez em sua vida, Meu Amado presenciou um velório e um enterro.

Ele não tinha a menor obrigação de ir lá, afinal estava lotado de trabalho para fazer, mas mesmo assim ele quis ir.

E em uma triste sexta-feira de Agosto demos “adeus” ao querido Tio Zico, um dos irmãos mais velhos do meu pai.

Tio Zico

____

2 de Agosto de 2012. Dia em que cheguei do Canadá.

Milagrosamente deu tudo certo nessa viagem de volta, diferentemente da viagem de ida, onde perdi a conexão,  fiquei perdida, paguei taxa extra, dormi no aeroporto do México e passei um sufoco para chegar sã e salva em Vancouver.

Para voltar, foi tudo tão simples… Sem fila na imigração, com tempo de sobra para fazer a conexão para São Paulo, e ainda viajei na Classe Executiva, pois não havia mais lugar na Econômica.

Chegando ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, nem tinha fila para passar pela Receita Federal e eu nem fui parada, barrada ou questionada. Foi tudo perfeito demais, cronometrado demais…

Em casa, sã e salva, papai disse: “Hoje você não vai para a casa do Thierry, pois iremos visitar o Tio Zico no hospital.”

Tio Zico tinha sido operado na semana passada. Estava tudo bem com ele. Dias depois ele teve umas complicações e a cirurgia teve que ser refeita. O quadro dele não estava nada bom.

Mais tarde meu pai mudou de idéia e disse: “Melhor você ficar em casa descansando hoje, até mesmo porque nem vão deixar entrar muita gente no quarto… Já tenho que levar o Tio Jaime e o Tio Leu… Amanhã ou depois você vai.” E meu pai foi.

Enquanto isso eu tentava desfazer minhas malas, organizar minhas coisas e separar a roupa para lavar. Minha irmã chegou do trabalho e ficamos matando as saudades, conversando e nos divertindo com as coisas que eu havia comprado.

Estávamos no quarto por volta das 18h ou 19h (não me recordo agora) quando senti um calafrio muito forte e muito estranho. Meu corpo inteiro tremeu. Até minha irmã ficou assustada.

Pensei ter sido por causa da viagem, do cansaço, da mudança de clima. Talvez eu estivesse um pouco resfriada ou coisa assim…

Meia hora depois meu pai telefona do hospital. Perguntou se minha mãe estava bem o suficiente para receber a notícia. Nessa hora eu já sabia que o Tio Zico não tinha resistido.

Parece até que meu tio estava esperando eu voltar de viagem para finalmente descansar em paz.

Depois fiquei sabendo que o calafrio que eu senti foi exatamente no momento em que ele deu seu último suspiro.

____

Durante todo esse tempo de angústia e espera por notícias, Thierry ficou ao meu lado. Não nos abandonou um minuto sequer, tendo inclusive dormido em minha casa e enfrentado a dor e a tristeza do velório e do enterro no dia seguinte.

Nem todos os parentes e amigos puderam estar presentes, alguns por residirem muito longe, outros por não terem sido dispensados do trabalho. Mas os mais importantes estavam lá. Todas as pessoas com as quais o Tio Zico se importou a vida inteira. Todas as pessoas que ele ajudou de alguma forma.

Tio Zico tinha um coração de ouro. Fazia mais por qualquer pessoa do que por ele mesmo. Não casou, não teve filhos. Sua missão foi cuidar da sua mãe até quando Deus lhe permitisse. E Deus permitiu que ele chegasse aos quase 76 anos, que completaria em 23 de Agosto, mesmo mês de sua morte. Mesmo mês em que seu pai faleceu.

Bem dizem que “Agosto é o mês do Desgosto”… Ano passado demos “adeus” à minha tia caçula, irmã mais nova da minha mãe. 35 anos. Câncer.

Alguns anos antes, também em Agosto, demos “adeus” ao melhor amigo do meu pai, que era mais que um irmão de verdade. 53 anos. AVC.

E agora meu tio, que não queria de jeito nenhum fazer essa cirurgia, vai embora aos 75 anos, deixando a tristeza no coração de toda a família, principalmente de uma mãe de 98 anos que nunca havia perdido um filho depois de crescido (Vovó engravidou de gêmeos, mas nasceram mortos, e depois teve outra gestação de gêmeos – um casal, mas apenas a menina sobreviveu, que por sinal é a minha querida Madrinha).

Vó Ana e todos os seus filhos e filhas

Mas Vovó nunca havia perdido um filho depois de tantos anos de amor, carinho e convivência.

Só Deus sabe a dor que ela está sentindo. Perder um filho que era seu companheiro de todos os dias. Ele que levantava cedinho, fervia o leite e batia em sua porta para avisá-la… Ele que, obedecendo às ordens do próprio pai, nunca se casou para poder se dedicar e cuidar de sua mãe.

Mesmo não sendo o mais amoroso dos filhos, ele a amava muito. Não demonstrava, mas amava. Sempre atencioso e preocupado, fazia tudo pensando nela, para ela.

Raramente a beijava, salvo alguns aniversários, Réveillons e Natais. Mas antes de ir para o hospital ser internado para a cirurgia, se despediu de sua mãe com três carinhosos beijinhos no rosto.

Era como se, no fundo, ele soubesse que jamais a veria novamente.

E assim foi.

____

Tio Zico engraçado!Tio Zico vai deixar muitas saudades. Todo mundo se lembra de algum momento, alguma história, alguma coisa boa ou até mesmo divertida que ele fez em vida.

Gostava de tocar viola. Cantava músicas sertanejas, daquelas bem antigas, de raiz. Música sertaneja de verdade.

Adorava contar piadas! Fazia todo mundo rir com suas histórias divertidas e suas piadas impróprias para os menores. O Tio Zico era tão engraçado e atrapalhado que a gente costumava compará-lo ao personagem Mr. Bean!!!

Não gostava de ir à casa dos outros. Preferia que todos fossem à sua casa passar um Domingo em família, com um simples almoço ou até mesmo um baita churrasco.

Nunca dizia “não” a quem lhe pedisse ajuda. Família, amigos, vizinhos, um estranho na rua, as insistentes funcionárias da LBV…

Para ele, a família era sagrada. Ainda que não gostasse que alguns parentes (principalmente mãe e irmãs) metessem o bedelho em sua vida, sua maior preocupação era ver todo mundo bem, feliz, saudável e sem qualquer problema financeiro. E se alguém estivesse em uma situação ruim, ele tratava logo de ajudar!

Tratava os sobrinhos como se fossem seus filhos. Queria saber dos estudos, dos trabalhos e dos lazeres. Sempre perguntava se estávamos precisando de alguma coisa . Incentivava nossos sonhos. Apoiava nossos projetos. Fazia de tudo para nos ajudar.

Se alguém estivesse vendendo alguma rifa, ele fazia questão de comprar vários números! Se alguém quisesse fazer aulas de violão, ele não só dava o violão como ainda comprava o método de estudo!  Se alguém inventasse de vender Natura ou Avon, ele não passava uma campanha sem encomendar algum produto!

Todo mês ele comprava Tele Sena para a vó, minhas tias e minha mãe. Seu sonho era melhorar a vida de todas essas pessoas que ele tanto estimava.

Também não passava uma semana sem tentar a sorte jogando na Quina, na Mega-Sena ou em outras apostas da Loteria. Nunca ganhou nada. E se ganhou, usou todo o dinheiro para ajudar a família, coisa que ele sempre fez com o maior gosto.

Sempre será lembrado como o Tio do Doce, afinal todo sobrinho que se preze irá lembrar de chegar à casa da Vó e ser recebido com muita alegria e muitas guloseimas que o Tio Zico sempre comprava para agradar à criançada. Balinha de Hortelã, Chocolate Sufflair, Pastilhas Valda, Kinder Ovo, H2OH… Ele sabia os gostos de todo mundo.

Por isso nós só temos a lhe agradecer, tio. Onde quer que o senhor esteja, certamente está descansando e olhando por todos nós.

Muito obrigada, Tio Zico! Você sempre estará em nossos corações.

Ah, lembrando que, pelo menos nosso querido tio viveu para ver o milagre do seu time finalmente conquistar a Libertadores! rs Tio Zico era corintiano roxo! tsc tsc tsc…

____

Bom, encerro esse longo e necessário post de hoje deixando um agradecimento especial a todos que mandaram mensagens de força para nós, principalmente o meu Bom Marido que, pacientemente, enfrentou essa barra junto à Família Oliveira.

Um Bom Marido é assim: sempre presente em todos os momentos da vida da Boa Esposa (e vice-versa), sejam eles de alegria ou de tristeza, saúde ou doença, até que a morte os separe.

Mas chega de falar de morte por hoje. É um assunto triste demais para um Domingo de tantas lembranças…

____

R.I.P.

José Candido de Oliveira

✰ 23-08-1936

† 02-08-2012