XLII. Por que alguns relacionamentos falham?

Solidão - www.comoserumbommarido.wordpress.com

Muitas pessoas reclamam que seus relacionamentos nunca dão certo, que uma hora ou outra sempre acaba acontecendo a mesma coisa, e que só podem ter sido amaldiçoadas pelo tal do “dedo podre” (por nunca conseguirem escolher direito)…

O que essas pessoas não percebem é que esse lance de “dedo podre” ocorre por conta da própria pessoa que continua cometendo os mesmos erros, simplesmente porque não admitem tê-los cometido.

É simples.

Todo mundo tem suas preferências na hora de “escolher” o par ideal, certo? Uns preferem loiras, outros preferem magrinhas, umas preferem altos, outras preferem barrigudos…

Ainda que o coração seja o chefe das escolhas, a pessoa sempre vai, automaticamente, buscar primeiro aquela que preenche os requisitos.

De repente o cara se apaixona pelo que ele e cai de quatro, pensando ter encontrado a mulher ideal.

De repente a mulher está carente e se apaixona pelo primeiro galanteador que a corteja na balada.

E uma vez que o relacionamento começa, lá vem os baldes de água fria!

Homem folgadoEle achou que aquela gostosona pela qual se encantou fosse capaz de trazer-lhe uma cerveja na sala, quando ele chegasse do trabalho. Que absurdo! Ela mal tirou o próprio prato de cima da mesa após comer! Isso sem falar na calcinha toda desbeiçada secando no box do banheiro!

Ela pensou que aquele ser romântico que a cantou na balada traria flores todo dia e que ele jamais seria capaz de arrotar na frente dela e deixar a tampa do vaso sanitário levantada!

Tsc tsc tsc…

Eis o erro mais besta que o ser humano comete quando acredita ter se apaixonado: idealizar a pessoa amada.

A pessoa não é aquilo que você havia sonhado, aos poucos você vai percebendo isso e… Catapimpa!

Frustração, decepção, separação!

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Outro erro comum que as pessoas cometem nos relacionamentos é a mania de querer controlar tudo, inclusive a saúde e o cansaço do outro.

Como é o caso do cara extremamente baladeiro, social, que gosta de curtir a “night” e que, se dependesse dele, sairia toda quinta, sexta, sábado e domingo.

Infelizmente ele se apaixonou por uma pessoa que, naquele momento, não tinha a menor condição de levar uma vida de festas e baladas.

Balada

Motivos? Último ano da facul, estágios a cumprir, trabalhos a entregar, TCC para apresentar, cursos extras para se aprimorar e mais um emprego a zelar…

CansaçoResultado: a moça estava sobrecarreda, esgotada, batalhando pela sua carreira e pelo seu futuro, mas ainda assim pedia desculpas ao seu “amado” e avisava que no ano seguinte ela estaria livre, com a agenda menos apertada e que era só ele ter um pouquinho de paciência.

Ele teve?

Não.

Para ele era muito mais importante sair, confraternizar com os amigos, ser visto nas baladas, se divertir, socializar… Ele não soube esperar. Perdeu a paciência e mandou o relacionamento às favas!

Mas peraí… Ele não poderia ter ido sozinho a essas festas? A moça até sugeriu isso, mas quem disse que o cara topou? Para ele era um insulto. Onde já se viu, namorar e não poder desfilar com a namorada nos lugares? O que os amigos dele iriam pensar? Que ela estava dando um “perdido” nele? Que o namoro era um fracasso?

Que sujeitinho mais inseguro, hein? Melhor para ela que não deixou de fazer nada por causa de ninguém e seguiu sua vida sem arrependimento algum!

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Ah, mas tem também aquele caso da mulher para lá de paranóica.

Tomou tanto chifre na vida que, sempre que arrumava um namorado, já pesquisava todas as ex do coitado, além de vigiá-lo no local de trabalho e criar perfis fakes nas redes sociais, só para testá-lo!

Seu JorgeFingia ser outra mulher só para jogar um charminho e ver se ele caía. O famoso teste de fidelidade!

Quando pirava de vez, chamava alguma conhecida bem bonitona para dar em cima do infeliz. Tanto caçava pelo em ovo que encontrava, né? Afinal a grande maioria dos homens não resiste a um rabo de saia super facinho, dando mole. O próprio Seu Jorge explica isso em sua canção! rs

É claro que isso só poderia resultar em fim de relacionamento. Por parte dela, que sempre armava o maior barraco! Porque o coitado, de vítima, passava a vilão, traidor, cafageste, miserável, safado, cachorro, sem vergonha e tudo mais!

Mulher louca! Ou ela se livra dessa paranóia já há tempos embutida, ou vai acabar sozinha sentada na varanda, resmungando sobre a vida…

Não há quem aguente uma pessoa assim!

Né, Seu Jorge?

– Pois é… Pois é…

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VII. Tudo tem sua hora (Parte 1)

“É estranho mexer no passado para arrumar o presente” – E. Thrash 2011

::: Parte 1 – Como Tudo Começou… (algumas explicações sobre o passado)

Thierry e eu nos conhecemos há muito tempo, quando ele ainda trabalhava em uma agência de modelos. Apesar dos lindos olhos claros e da loirice européia, ele não era modelo, mas sim um editor de fotos para books e composites. E foi ele quem me viu primeiro.

Eu precisava fazer um composite para distribuir em algumas produtoras. Achei bacana o preço na agência que ele trabalhava e fechei o pacote.

Certamente ele deve ter editado fotos de diversas pessoas lindas e maravilhosas naquela agência, mas foi pela exótica beleza desta que vos escreve que ele se interessou.

Ruiva, headbanger, perfil agressivo. Nada fashion, nada “modelete”, afinal eu sou atriz e portanto minhas fotos eram mais voltadas para essa área. E por causa disso ele caçou meu email nos cadastros da agência e entrou em contato comigo, perguntando se eu toparia fazer umas fotos artísticas para o portifólio dele.

Óbvio que achei a abordagem estranha, mas aceitei o convite, afinal eu não tinha nada a perder.

Nos encontramos para conversar e nos conhecer melhor. Vi alguns trabalhos que ele havia feito e jantei no apartamento dele.

Para garantir credibilidade ao convite, o melhor amigo dele estava lá e foi quem fez o jantar. A idéia deles era fazer com que eu não me sentisse assediada com a história das fotos, assim eu não pensaria que era cascata.

Mas era.

A idéia das fotos foi só uma isca. E eu, mesmo desconfiada, decidi ver até onde isso daria.

Outro encontro aconteceu e… nada de fotos. Começou a rolar um clima e, inevitavelmente, o primeiro beijo. Eu não permitia nada mais que beijos. Sempre fui difícil e durona. E mandona.

fora de foco

Foto por: Thierry Durrieux (2005)

Coloquei o rapaz na parede e perguntei sobre as tais fotos. “Ah, sim, as fotos…” – Ficou desconcertado. Achou que a isca tinha dado certo e que eu havia esquecido o assunto.

Sem saída, ele se sentiu obrigado a me fotografar. Me empolguei toda, me vesti linda e gótica, me maquiei e fomos aos cliques!

Thierry e sua máquina de película… Ao revelar as fotos, descobriu que havia um defeito no filme (deve ter molhado, estragado…) e das várias que fizemos, NENHUMA ficou boa. Exceto uma que eu adoro e estou junto a uma taça de vinho. Bem poética. Bom, pelo menos uma, né?

Faz tempo isso. Eu tinha uns 20 ou 21 anos, não lembro. Só lembro que eu acabei me cansando do jeito quieto, tímido e esquisitão do Thierry. E de repente comecei a achar que ele era uma espécie de marionete do já citado amigo dele. Sim. Um cara fechadão, todo sem jeito, todo desengonçado e que, apesar de lindo, loiro e cabeludo, não sabia lidar com as mulheres sozinho. Um crianção. E eu, uma criançona mimada, caprichosa e aventureira, voltei pro meu mundinho mais agitado e deixei o Thierry meio no gelo.

Só voltamos a nos encontrar tempos e tempos depois…

(continua…)