XXXVIII. Confiança

Ah, essas minhas viagens

Viajando a trabalhoQuando não são para estudar, são para trabalhar!

E, sem dúvida, o pobre do Bom Marido é quem mais sofre com isso.

Mas o que eu posso fazer?

Eu tenho que trabalhar. Tenho que garantir meu sustento e alavancar minha carreira.

Infelizmente não posso ser a “Esposa dos Sonhos”, aquela Amélia que fica o dia inteiro em casa fazendo de tudo para o marido.

Ainda bem que ele entende isso. Por mais que eu perceba seu triste olhar, sei que ele sabe que não existe outra alternativa, a não ser ganhar na Loteria, não é? Assim eu não precisaria trabalhar tanto!

Mas eu gosto de trabalhar. Acredito que, mesmo se eu ganhasse na Loteria, eu continuaria trabalhando alucinadamente, afinal esse é o combustível para minha vida.

E enquanto estou aqui no meio de mais uma viagem a trabalho, não consigo deixar de pensar no Meu Amado.

Muita gente deve se perguntar se eu não tenho receio de viajar e deixar meu “namorido” sozinho por aí.

Tudo é uma questão de confiança e de consciência também.

Eu sei que posso confiar no Meu Príncipe Encantado.

E o Meu Príncipe Encantado pode confiar em mim também e pronto!

Minha consciência está mais do que tranquila. Todo o tempo do mundo que eu tenho livre sem estar com Meu Amado ou minha família, estou com meu Trabalho, que é minha outra grande paixão.

Todo mundo sabe disso.

Thierry nanando com o gato

Olha que lindos meus dois bigodudos! *.*

E outra coisa: eu não fico procurando pelo em ovo ou imaginando “coisas” quando estou longe do Bom Marido. Prefiro confiar e acreditar que tudo está na mais perfeita ordem.

E espero que ele esteja fazendo o mesmo lá na casinha dele, sossegadinho, com nosso “bebê” Lucky a tiracolo!

Não é, Mon Amour?

Aguente aí mais esses quinze dias que já já eu estou de volta, viu?

Gros bisous, mon cher!

Je t’aime beaucoup! ^^

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XXXVII. Magro de ruim!

Sorte do Bom Marido que pode comer de tudo sem se preocupar com a pança e a balança…

No meu caso, a maldita genética me obriga a ser cautelosa, antes que tudo vá parar nos quadris…

Fazer o quê?

O jeito é comer um pouco menos, mas nunca deixar de me deliciar com os maravilhosos quitutes que meu Príncipe Encantado faz com todo carinho.

Afinal Bom Marido é aquele que sabe encarar um fogão com maestria (ainda que a pia de louça suja fique lá gritando para a Boa Esposa lavar… C’est la vie!)

Mas vamos ao que interessa.

Lanche também é comida, certo? E de vez em quando cai bem um sanduíche ao invés do jantar. Eis um exemplo dos nossos criatvos lanchinhos:

Sandoritos

Este é o SANDORITOS – Sanduíche de Doritos!

Pão de hamburger, hamburger de frango, maionese Hellmann’s, mostarda Maille Dijon Originale (sim, aquela que é bem forte!) e o maravilhoso, incrível e espetacular Doritos Queijo Nacho!

Vai por mim, esse sanduba é supimpa!

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Outra noite, Meu Amado resolveu fazer uma de suas especialidades: Strogonoff de Frango.

Strogonoff de Frango com Arroz Integral

Mas é óbvio que o Arroz Integral e a Batata Palha Temperada Yoki não poderiam ficar de fora!

O curioso é que, desta vez o meu Mestre Cuca misturou o arroz integral com o Arroz Vermelho Ruzene, que por sinal só tinha um restinho, ou seja: acabou de vez e eu preciso urgentemente passar no Pão de Açúcar para comprar mais! AAAAAAAAAAHHHH!!!

A mistura de arroz integral com arroz vermelho ficou muito boa, mas eu realmente preciso comprar não só o Arroz Vermelho Ruzene, como o Preto também. Esses itens preciosos não podem faltar na cozinha do Meu Amado!

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E após o suculento Strogonoff de Frango eu resolvi preparar uma sobremesa que há tempos eu havia prometido ao Bom Marido: Brigadeiro de Panela!!!

Sim! Eu também encaro o fogão de vez em quando, mas só quando estou muito inspirada.

E lá fui eu fazer um brigadeiro bem bacana quando de repente percebi que não havia achocolatado Nescau… A outra opção seria usar o famoso e pré-histórico Chocolate dos Padres, mas o que tinha no armário estava vencido. Oh! Que tragédia!

O jeito foi improvisar! E assim nasceu um Brigadeiro à lá Elaine Thrash, que nada mais é do que um espetacular Brigadeiro de Ovomaltine com Marshmallow!!!

Brigadeiro à lá Elaine Thrash

::: Receitinha básica: Em uma panela coloquei 1 lata de Leite Condensado Moça, 1 colher (sopa) de margarina Doriana (sem sal) e 4 colheres (sopa) de achocolatado Ovomaltine. Levei ao fogo por alguns minutos, misturando sempre até pegar a consistência de um brigadeiro e até desgrudar do fundo da panela.

Ainda quente, coloquei uma porção do brigadeiro em uma tigela, acrescentei 3 Marshmallows simples e 3 quadradinhos de Chocolate Meio Amargo Lacta.

Dei uma misturadinha e olha só a maravilha que ficou:

Brigadeiro à lá Elaine Thrash

Até parece uma mousse! E detalhe: por causa do Marshmallow, o brigadeiro ficou bem suave. E acredito que os tabletinhos de  chocolate meio amargo fizeram com que a mistura não ficasse enjoativa!

Experimentem!

Thierry experimentou e aprovou, não é, Mon Amour?

Thierry comendo brigadeiro

– Então quer dizer que eu sou uma cobaia, hein?

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É isso aí, pessoal!

Espero que tenham gostado! 😉

XXXVI. Na alegria e na tristeza…

… na alegria e na tristeza, na saúde e na doença…

Durante esses quase dois anos de relacionamento, acredito que o Meu Amado tenha visto e vivido mais coisas do que em toda a sua vida!

Família grande é assim: repleta de fortes emoções!

Em cerca de 1 ano e 8 meses de namoro, Meu Príncipe Encantado já foi obrigado a enfrentar um batizado lotado (foi quando batizei minha afilhadinha Lara); a festa de noivado da minha prima, com direito a pastor abençoando o casal em uma longa cerimônia e tudo mais; diversos aniversários, alguns de criança (sendo que o Thierry não gosta nem um pouco dos pequenos, imprevisíveis, pentelhos e mimados seres que povoam o planeta); e, pela segunda vez em sua vida, Meu Amado presenciou um velório e um enterro.

Ele não tinha a menor obrigação de ir lá, afinal estava lotado de trabalho para fazer, mas mesmo assim ele quis ir.

E em uma triste sexta-feira de Agosto demos “adeus” ao querido Tio Zico, um dos irmãos mais velhos do meu pai.

Tio Zico

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2 de Agosto de 2012. Dia em que cheguei do Canadá.

Milagrosamente deu tudo certo nessa viagem de volta, diferentemente da viagem de ida, onde perdi a conexão,  fiquei perdida, paguei taxa extra, dormi no aeroporto do México e passei um sufoco para chegar sã e salva em Vancouver.

Para voltar, foi tudo tão simples… Sem fila na imigração, com tempo de sobra para fazer a conexão para São Paulo, e ainda viajei na Classe Executiva, pois não havia mais lugar na Econômica.

Chegando ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, nem tinha fila para passar pela Receita Federal e eu nem fui parada, barrada ou questionada. Foi tudo perfeito demais, cronometrado demais…

Em casa, sã e salva, papai disse: “Hoje você não vai para a casa do Thierry, pois iremos visitar o Tio Zico no hospital.”

Tio Zico tinha sido operado na semana passada. Estava tudo bem com ele. Dias depois ele teve umas complicações e a cirurgia teve que ser refeita. O quadro dele não estava nada bom.

Mais tarde meu pai mudou de idéia e disse: “Melhor você ficar em casa descansando hoje, até mesmo porque nem vão deixar entrar muita gente no quarto… Já tenho que levar o Tio Jaime e o Tio Leu… Amanhã ou depois você vai.” E meu pai foi.

Enquanto isso eu tentava desfazer minhas malas, organizar minhas coisas e separar a roupa para lavar. Minha irmã chegou do trabalho e ficamos matando as saudades, conversando e nos divertindo com as coisas que eu havia comprado.

Estávamos no quarto por volta das 18h ou 19h (não me recordo agora) quando senti um calafrio muito forte e muito estranho. Meu corpo inteiro tremeu. Até minha irmã ficou assustada.

Pensei ter sido por causa da viagem, do cansaço, da mudança de clima. Talvez eu estivesse um pouco resfriada ou coisa assim…

Meia hora depois meu pai telefona do hospital. Perguntou se minha mãe estava bem o suficiente para receber a notícia. Nessa hora eu já sabia que o Tio Zico não tinha resistido.

Parece até que meu tio estava esperando eu voltar de viagem para finalmente descansar em paz.

Depois fiquei sabendo que o calafrio que eu senti foi exatamente no momento em que ele deu seu último suspiro.

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Durante todo esse tempo de angústia e espera por notícias, Thierry ficou ao meu lado. Não nos abandonou um minuto sequer, tendo inclusive dormido em minha casa e enfrentado a dor e a tristeza do velório e do enterro no dia seguinte.

Nem todos os parentes e amigos puderam estar presentes, alguns por residirem muito longe, outros por não terem sido dispensados do trabalho. Mas os mais importantes estavam lá. Todas as pessoas com as quais o Tio Zico se importou a vida inteira. Todas as pessoas que ele ajudou de alguma forma.

Tio Zico tinha um coração de ouro. Fazia mais por qualquer pessoa do que por ele mesmo. Não casou, não teve filhos. Sua missão foi cuidar da sua mãe até quando Deus lhe permitisse. E Deus permitiu que ele chegasse aos quase 76 anos, que completaria em 23 de Agosto, mesmo mês de sua morte. Mesmo mês em que seu pai faleceu.

Bem dizem que “Agosto é o mês do Desgosto”… Ano passado demos “adeus” à minha tia caçula, irmã mais nova da minha mãe. 35 anos. Câncer.

Alguns anos antes, também em Agosto, demos “adeus” ao melhor amigo do meu pai, que era mais que um irmão de verdade. 53 anos. AVC.

E agora meu tio, que não queria de jeito nenhum fazer essa cirurgia, vai embora aos 75 anos, deixando a tristeza no coração de toda a família, principalmente de uma mãe de 98 anos que nunca havia perdido um filho depois de crescido (Vovó engravidou de gêmeos, mas nasceram mortos, e depois teve outra gestação de gêmeos – um casal, mas apenas a menina sobreviveu, que por sinal é a minha querida Madrinha).

Vó Ana e todos os seus filhos e filhas

Mas Vovó nunca havia perdido um filho depois de tantos anos de amor, carinho e convivência.

Só Deus sabe a dor que ela está sentindo. Perder um filho que era seu companheiro de todos os dias. Ele que levantava cedinho, fervia o leite e batia em sua porta para avisá-la… Ele que, obedecendo às ordens do próprio pai, nunca se casou para poder se dedicar e cuidar de sua mãe.

Mesmo não sendo o mais amoroso dos filhos, ele a amava muito. Não demonstrava, mas amava. Sempre atencioso e preocupado, fazia tudo pensando nela, para ela.

Raramente a beijava, salvo alguns aniversários, Réveillons e Natais. Mas antes de ir para o hospital ser internado para a cirurgia, se despediu de sua mãe com três carinhosos beijinhos no rosto.

Era como se, no fundo, ele soubesse que jamais a veria novamente.

E assim foi.

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Tio Zico engraçado!Tio Zico vai deixar muitas saudades. Todo mundo se lembra de algum momento, alguma história, alguma coisa boa ou até mesmo divertida que ele fez em vida.

Gostava de tocar viola. Cantava músicas sertanejas, daquelas bem antigas, de raiz. Música sertaneja de verdade.

Adorava contar piadas! Fazia todo mundo rir com suas histórias divertidas e suas piadas impróprias para os menores. O Tio Zico era tão engraçado e atrapalhado que a gente costumava compará-lo ao personagem Mr. Bean!!!

Não gostava de ir à casa dos outros. Preferia que todos fossem à sua casa passar um Domingo em família, com um simples almoço ou até mesmo um baita churrasco.

Nunca dizia “não” a quem lhe pedisse ajuda. Família, amigos, vizinhos, um estranho na rua, as insistentes funcionárias da LBV…

Para ele, a família era sagrada. Ainda que não gostasse que alguns parentes (principalmente mãe e irmãs) metessem o bedelho em sua vida, sua maior preocupação era ver todo mundo bem, feliz, saudável e sem qualquer problema financeiro. E se alguém estivesse em uma situação ruim, ele tratava logo de ajudar!

Tratava os sobrinhos como se fossem seus filhos. Queria saber dos estudos, dos trabalhos e dos lazeres. Sempre perguntava se estávamos precisando de alguma coisa . Incentivava nossos sonhos. Apoiava nossos projetos. Fazia de tudo para nos ajudar.

Se alguém estivesse vendendo alguma rifa, ele fazia questão de comprar vários números! Se alguém quisesse fazer aulas de violão, ele não só dava o violão como ainda comprava o método de estudo!  Se alguém inventasse de vender Natura ou Avon, ele não passava uma campanha sem encomendar algum produto!

Todo mês ele comprava Tele Sena para a vó, minhas tias e minha mãe. Seu sonho era melhorar a vida de todas essas pessoas que ele tanto estimava.

Também não passava uma semana sem tentar a sorte jogando na Quina, na Mega-Sena ou em outras apostas da Loteria. Nunca ganhou nada. E se ganhou, usou todo o dinheiro para ajudar a família, coisa que ele sempre fez com o maior gosto.

Sempre será lembrado como o Tio do Doce, afinal todo sobrinho que se preze irá lembrar de chegar à casa da Vó e ser recebido com muita alegria e muitas guloseimas que o Tio Zico sempre comprava para agradar à criançada. Balinha de Hortelã, Chocolate Sufflair, Pastilhas Valda, Kinder Ovo, H2OH… Ele sabia os gostos de todo mundo.

Por isso nós só temos a lhe agradecer, tio. Onde quer que o senhor esteja, certamente está descansando e olhando por todos nós.

Muito obrigada, Tio Zico! Você sempre estará em nossos corações.

Ah, lembrando que, pelo menos nosso querido tio viveu para ver o milagre do seu time finalmente conquistar a Libertadores! rs Tio Zico era corintiano roxo! tsc tsc tsc…

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Bom, encerro esse longo e necessário post de hoje deixando um agradecimento especial a todos que mandaram mensagens de força para nós, principalmente o meu Bom Marido que, pacientemente, enfrentou essa barra junto à Família Oliveira.

Um Bom Marido é assim: sempre presente em todos os momentos da vida da Boa Esposa (e vice-versa), sejam eles de alegria ou de tristeza, saúde ou doença, até que a morte os separe.

Mas chega de falar de morte por hoje. É um assunto triste demais para um Domingo de tantas lembranças…

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R.I.P.

José Candido de Oliveira

✰ 23-08-1936

† 02-08-2012